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O Antifascismo está na Rua! | Manifestação PAFL

Ao longo destes últimos anos, temos assistido um pouco por todo o mundo ao crescimento das forças de extrema-direita, sendo que algumas delas já estão a governar. Com a ascensão de Trump, Bolsonaro, Duterte, Salvini, Orban, entre outros no poder, ou como Le Pen, que quase alcançou a vitória nas últimas eleições francesas e o aparecimento em países com um passado ligado ao Nazi/Fascismo como em Espanha (VOX) e na Alemanha (AfD).

Em Portugal, são vários os grupos que têm aparecido com mensagens nacionalistas, xenófobas e fascistas. No primeiro deste mês, o grupo neofascista NOS (Nova Ordem Social), manifestou-se desde do largo do Rato até ao parlamento para relembrar o ditador do estado novo português António de Oliveira Salazar, uma manifestação que não ultrapassou as 40 pessoas. Do lado oposto, houve uma manifestação organizada e convocada pela PAFL (Plataforma Antifascista de Lisboa) onde aderiram 57 colectivos e organizações e no qual estiveram presentes cerca de 450 pessoas. Começaram por ser distribuídos papeis com o título “Um Dia no Bairro do Jamaica” que descreve a realidade que se passa naquele lugar e que muitos tendem a ignorar. Passado uns minutos, os manifestantes começaram o curto trajecto desde o Rossio ao Largo de Camões, onde inicialmente estava previsto vários concertos com grupos e artistas, mas que devido ao mau tempo teve que ser adiado. A chuva não deu tréguas na maioria do caminho, mas isso não demoveu a marcha que ia entoando várias palavras de ordem. “Há, aqui, antifascistas”, “Racistas, fascistas, não passarão!”, “Alerta, alerta, alerta antifascista!”, “Contra o fascismo, nenhum passo atrás!” ou até a música de resistência antifascista italiana “Bella Ciao” foram algumas das principais frases ouvidas, sempre com um grupo de pessoas a tocarem tambores. Ao longo do percurso e em diferentes locais, os participantes foram interrompendo o passo e eram vários os curiosos que paravam para olhar. Numa dessas paragens, foi recordado o jovem Alcindo Monteiro, que em 1995 foi assassinado na rua Garrett por um grupo de fascistas e skinheads, um deles era o atual líder do NOS, Mário Machado. “Alcindo Monteiro, não esquecemos!” foi várias vezes entoado.

No final, alguns manifestantes subiram a estátua na praça Luís de Camões e mostraram duas faixas de fundo vermelho com letras brancas que continham as seguintes frases “Respect Existence or Expect Resistance” e “Não esquecemos, Não perdoamos” enquanto um megafone foi colocado à disponibilização das pessoas para poderem falar e dar o seu ponto de vista, que relembraram a maneira como as pessoas negras são discriminadas em Portugal e de que forma o estado é estruturalmente racista.

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Tal como a manifestação em Lisboa demonstrou, torna-se urgente organizarmo-nos contra uma ameaça que no nosso país se encontra em processo de reorganização. No norte de Portugal, existe o Núcleo Antifascista de Braga que tem estado ativo desde julho de 2017. Com um grupo de pessoas entre os 10 e as 30 pessoas e que ideologicamente integram militantes que vão desde a Esquerda Radical, o Marxismo, Anarco-Comunismo e Anarquismo, definem como principal objectivo lutar contra os grupos de Extrema Direita organizados tais como o Escudo Identitário, Nova Ordem Social, Blood and Honour e os Hammerskin, e a luta anticapitalista, pois vêem o fascismo como uma ferramenta do capitalismo, que é usada para dividir. Tendo contactos internacionais como o RASH ou a SHARP e outros antifas da Galiza, defendem uma sociedade realmente democrática, multicultural e tolerante. Para este ano têm já programado o festival Rock Contra o Racismo que vai ocorrer nos dias 22 e 23 de fevereiro em Braga, alem de pretenderem manter actividades como debates, distribuição de panfletos ou a ajuda a associações.

Mas depois de um debate bastante participado sobre a extrema-direita realizado em outubro de 2018 e percebendo que era necessária uma plataforma nova, mais alargada e que pudesse receber outras pessoas sem estarem na cidade de Braga, resolvem criar a FUA (Frente Unitária Antifascista). Nela pertencem 12 organizações, entre as quais os vários núcleos antifascistas do norte do país, o SOS Racismo, a UMAR, a FIBRA, o Sindicato de Trabalhadores de Call Center, entre outras organizações políticas, alem de adesões individuais. Albergando desde forças mais moderadas, até a alas mais radicais dentro da esquerda, têm como objetivo o combate ao fascismo através da consciencialização de quem vive em Portugal sobre um novo perigo que se tenta mascarar através de debates, palestras, projeções e ações de rua. Um exemplo de uma ação foi no dia um de dezembro de 2018, onde celebraram a liberdade e a democracia, numa demonstração onde alguns elementos do PNR tentaram passar o cordão policial e atacar os membros da frente. A FUA tem um modelo próprio de debate frontal e democrático, com uma coordenadora eleita de forma democrática em assembleia que gere as acções dos diversos grupos de trabalho e aplica as decisões tomadas democraticamente nas reuniões com os membros.

 

 

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