Artigos

Entre o Pós-Fordismo e a nova direita social II | Primo Moroni

A primeira parte do artigo pode ser lida aqui.

Entre o trabalho autónomo e a Microempresa

No seu recente “Problematiche del lavoro autonomo in Italia10, Sergio Bologna elabora a primeira analise em profundidade desta, em grande medida, nova figura social quer em termos quantitativos quer em termos qualitativos.

O trabalho autónomo constitui uma espécie de “segundo nível” da flexibilidade do trabalho, sendo o primeiro representado pela parte do trabalho cuja flexibilidade é regulamentada contratualmente e juridicamente e o terceiro representado por todo o universo de trabalho ilegal ou “não-oficial”.

Geralmente, o trabalhador autónomo assume o perfil jurídico da “empresa autónoma”, mesmo que para muitos não seja obrigatório o registo na Câmara do Comércio. Segundo a hipótese interpretativa de Sergio Bologna, uma parte muito relevante dos “trabalhadores autónomos” realiza tarefas simples longe das unidades produtivas responsáveis pelo seu salário, sendo que este é representado pelos recibos que apresentam segundo uma periodicidade pelo trabalho realizado e as restrições impostas ao seu desempenho pelo cliente parecem ser cada vez mais rigorosas.

Certamente que dentro deste universo existem também dezenas de milhares lojistas, mas a percentagem dos que trabalham para empresas ou que produzem bens e serviços expandiu ao ponto de representar um fator de grande importância no universo do trabalho.

“Não são mais do que força de trabalho ‘de-salariada’, não se colocam isolados em relação a um mercado plural (outra percentagem partilha esta caraterística) e no entanto, uma vez que têm que respeitar tempos e métodos de serviço estritamente fixados, não são ‘de-taylorizados’: assim tomam a forma de micro-empresa, na verdade são o novo operário-massa da empresa em rede”12.

Basicamente, recentemente tem dado origem ao que os economistas chamam a proto-indústria: ligada ao local, à família, ao auto-empreendorismo e micro-empreendedorismo. O desenvolvimento de serviços, que é o novo facto, baseou-se em estruturas primárias: a família e redes parentais, redes que permitem o forte desenvolvimento da economia informal.

Desta forma parece que André Gorz é da mesma opinião quando afirma que: “Grandes empresas aprenderam a descentralizar e subcontratar, de acordo com o modelo japonês, o maior número possível de produções e serviços utilizando empresas satélite – maioritariamente de tamanho reduzido – composta ao limite por um ‘empreendedor artesão’ que trabalha exclusivamente para a grande empresa com o capital disponibilizado por essa mesma empresa”13.

Se queremos referir um bom exemplo, podemos referir a atual estrutura produtiva da Fiat: “Um carro Fiat é de facto composto por 5000 peças que são em grande parte produzidas fora da Fiat-auto: 25% do abastecimento é adquirido em empresas estrangeiras (maioritariamente europeias), outros 25% vêm diretamente da FIAT-componentes (cerca de 45 mil empregados), os restantes 50% de pequenas empresas independentes que produzem exclusivamente para a Fiat. Muitas destas últimas unidades produtivas nasceram da iniciativa de empregados da Fiat (muitos executivos e gestores), algumas graças à participação do capital da Fiat ao qual estão ligadas não só economicamente mas também culturalmente. Estas empregam 150 mil trabalhadores e a sua produção é extremamente especializada14.

Algo bastante semelhante e ainda mais “sofisticado” ocorre noutros sectores produtivos (são famosos, por exemplo, os modelos da Benetton ou da Stefanel e, no sector agrícola, o modelo Ferruzzi)15.

Estes processos de deslocação dos fatores produtivos estão intimamente ligados com a intrínseca necessidade de mudar a produção industrial na era de passagem da produção em massa (que havia atingido a saturação) para a produção qualitativa. Hoje o melhoramento da qualidade é a ferramenta necessária para acelerar as substituições.

Isto é feito através de soluções sempre muito orientadas para a personalização de bens e serviços. A tecnologia torna-se um recurso indispensável não menos que o capital humano. Isto permite a continua diferenciação do produto, e é tão mais possível quanto mais a produção possa ser organizada por pequenas unidades produtivas adaptadas à valorização e ao “controlo” dos recursos humanos e capacidades de trabalho individual integradas criativamente com a própria tecnologia.

Daí a necessidade de a empresa assumir uma “configuração de geometria variável” com fronteiras móveis. A dimensão organizativa de cada área de decisão varia de acordo com o tipo de problema a ser gerido: a solução não é mais sempre e em todo caso deixada ao “centro”, mas exige-se ao sub-sistema a invenção de novas agregações ou alianças com outras empresas.

Estamos assim na presença de um novo paradigma tecnológico que tende a destruir os ciclos industriais precedentes criando novas figuras sociais e produtivas localizadas em vastas áreas territoriais e com uma forte e historicamente enraizada “tradição” empreendedora e produtiva que, por um lado, dá origem a macro-regiões supranacionais16 interconectadas entre si, por outro, consolidam uma miríade de “sociedades locais” onde se desenvolvem formas de cooperação social entre empresas. A tecnologia informática é, neste caso, a rede ‘virtual’ que liga todas estas realidades produtivas. Esta permite a transmissão de informação e instruções a baixo custo independentemente da distância. “Observemos uma extensão paralela do mesmo processo produtivo a várias áreas do planeta e a adaptação a necessidades de pequenos grupos de variantes deste modelo básico”17.

A Nova Ideologia do Trabalho

As novas tecnologias e o profundo re-localização dos fatores produtivos têm sem duvida sido a resposta principal à ingovernabilidade do corpo central da classe, mas esta resposta tornou-se possível e, dialeticamente, necessária pela irrupção de tecnologias flexíveis. Isso afetou profundamente a mudança em territórios industriais, redesenhou a geometria da composição social de regiões inteiras, afetou as características do mercado de trabalho que se territorializou massivamente e localizou-se fora das grandes metrópoles, dentro dos pequenos centros das províncias da região produtiva do Centro-Norte. A expulsão de trabalhadores da grande fábrica metropolitana determinou o retorno da sociedade local18.

Uma parte deles tornou-se empreendedores de micro-empresas, outros auto-empregados, e muitíssimos força de trabalho flexível.

De um estudo Comisma (relativo ao modelo pratese ou à produção têxtil de Carpi) podemos encontrar indicações importantes sobre o ritmo de trabalho dos artesãos e micro-empresas. Muitos deles – e os seus empregados – são forçados a trabalhar 16 horas por dias enquanto têm que lhes é pedido que respeitem o just in time. É desnecessário dizer que se transferido para o modelo fiat (ou semelhante) a situação não muda.

Os mesmos auto-empregados (isto é, sem empregados) registam individualmente, como resultado imediato da sua independência de-salariada, um enorme aumento no dia e semana de trabalho. Provavelmente nunca haveriam aceite esta condição estando na posição de trabalhador assalariado. Estamos, portanto, na presença de um extraordinário processo de valorização da força de trabalho ou da sua continua negociação no caso dos trabalhadores de micro-empresas.

Assim, pode-se afirmar, no âmbito de uma intervenção de caracter parcial, que estamos na presença não apenas da interrupção de um perfil da classe, mas também e sobretudo do das elites dirigentes.

Uma “Nova Burguesia” e uma Oligarquia Difusa?

Até aqui apresentámos uma hipótese referente à tese de tendencial e agora amplamente afirmado pôr do sol do modelo taylorista-fordista. Um pôr-do-sol que carrega consigo universos sociais inteiros que foram a base cultural e política do último século. Contra isto vemos novas figuras sociais e produtivas a emergirem. Está a formar-se uma nova burguesia e uma nova composição de classe e muito mais se incluirmos estas mudanças no renovado enquadramento internacional. Neste último ponto, e acidentalmente, não há duvida de que o declínio dos países do socialismo real reformulou e desconstruiu grande parte da pertença, para muitos eliminou os horizontes de referência e transformação, e também “libertou” uma quantidade massiva de votos moderados que podem ser potencialmente absorvidos por valores progressistas ou, como é provável e já está a acontecer, por tons mais “reacionários”. E é também por esta última consideração que a análise do processo material que induz tanto as tonalidades emocionais como as escolhas politicas se torna crucial19.

Mario Deaglio no texto referido na nota, delineia o quadro da nova burguesia remetendo o seu nascimento ao período 1975/84. Características peculiares destes novos sujeitos, empreendedores e difusos, com particular atenção à nova tecnologia, à valorização do capital humano, a dar vida a empresas muito eficientes e de pequenas dimensões e à tendência de reduzir significativamente as subdivisões entre empreendedor e dirigente e entre dirigente e trabalhador valorizado. No geral, estas fisionomias da organização produtiva serão indispensáveis e funcionais à nova forma de produzir20.

Não há duvida de que empresas locais no norte do país (redesenhadas pela descentralização da produção) onde as relações laborais são essencialmente familiares, parentais ou de amizade, são o território ideal para facilitar estas necessidades empreendedoras enquanto alteram em profundidade o horizonte da pertença dos trabalhadores.

E isto mesmo que esta última consequência seja experienciada pelos próprios sujeitos como recuperação da autonomia ou como valorização das suas capacidades.

Mas esta falsificação da experiência não existe obviamente sem consequências. É necessário dizer que a consciência de se estar na posse de um capital humano intangível (habilidade, destreza, flexibilidade, capacidade de decidir: o verdadeiro significado do termo skill reporta às novas tecnologias e novos processos de produção) separado do universo daquilo que chamamos “consciência de classe” determina uma figura social que, em si, tende a anular as diferenças com o empreendedor e, através do processo de auto-falsificaçao, a alienação operária.

Mas num amplo sector do mundo do trabalho um húmus social e cultural assim caracterizado tem entre os resultados não secundários o efeito de gerar uma recusa “espontânea” de qualquer regulação do mercado de trabalho, o que impõe a transferência de rendimento de natureza solidária dos trabalhadores com o rendimento mais elevado para os trabalhadores com rendimentos mais baixos, ou de todos os trabalhadores para o resto da sociedade.

Em paralelo, as centenas de milhar destes “novos empreendedores”, que alguns chamam “nova burguesia” e outros “oligarquia difusa”, não têm ligação com a burguesia industrial precedente em decadência (no caso lombardo-milansese substancialmente dissolvida dentro de poucos anos) e estão totalmente privados de qualquer referente ideológico-cultural, não se reconhecendo a si mesmos em qualquer grande corrente política, filosófica ou religiosa21.

Os territórios privilegiados de formação e desenvolvimento desta, em muitas formas, nova “configuração socio-económica” têm sido aqueles situados na região do Centro-Norte industrial (com uma fortíssima acentuação no território de Nordeste) Estas áreas que foram o núcleo do desenvolvimento industrial nacional assumem hoje novas valências e significados próprios enquanto resultado da continua transformação produtiva. O enorme turbilhão ocorrido no mundo do trabalho moldou as fronteiras simbólicas dos “modos de vida” o que deu origem a novas hierarquias e novas formas de cooperação social que fazem o território, num sentido lato, uma fonte estratégica. Assim, é compreensível que estas áreas sejam as mais interessantes no que toca ao fenómeno da crise do tradicional sistema partidário.

E é dentro deste vazio de representação que surgiu o fenómeno da Lega Nord com todos os seus contornos contraditórios.

Um fenómeno eleitoral entre os maiores do pós-guerra europeu e que se tem sem duvida o ‘mérito’ de ser o primeiro a “descongelar” o sistema política italiano, coloca ao mesmo tempo um conjunto de questões perturbadoras acerca do futuro de espaços democráticos neste país.

Mas seria um erro pensar que os chamados “localismos locais” e “localismos políticos”, são características peculiares de Itália, na verdade processos similares estão presentes na República Federal Alemã, em alguns cantões suíços, na Áustria e em algumas zonas particularmente desenvolvidas de ex-países socialistas (como a Hungria ou a Eslovénia por exemplo). Não deverá, portanto, ser uma surpresa que existam projetos presentemente a operar num nível europeu, que incluam as mencionadas áreas geo-económicas, enquanto surgem fenómenos políticos e eleitorais semelhantes ao leghismo que assumem frequentemente (por exemplo em Baden-Württemberg ou em alguns Länder Austríacos que são notavelmente semelhantes com a estrutura económica da lombardo-veneta) cores de extrema-direita.

Assim, pode-se afirmar paradoxalmente que, para alguns aspetos, a Lega Nord é ainda um travão de um impulso social que teria conotações ainda mais politicamente definidas22.

Mas como é obvio, a representação (como a entende ou demonstra interpretar a Lega Nord) desta nova configuração socio-económica complexa e difusa não pode tendencialmente colidir com os interesses das grandes empresas que, na empresa-rede, na fábrica integrada, com o trabalho contratado, o trabalho autónomo, etc., estabelecem uma parte significativa do seu planeamento.  E de facto o consolidar-se e o tornar-se visível desta “nova classe média” a lutar por conquistar fortes posições de representação dentro do Estado, podem apenas embaraçar as estratégias das cinco ou seis principais elites industriais.


 

Notas:

10. In “Altreragioni”, nn° 1 e 2,1992/93

11. Ibidem

12. Ibidem

13. Gorz, Metamorfosi del lavoro, Bollati Boringhieri, Torino 1992.

14. Polo, Gli inganni della qualità totale, (inedito). Ver ainda B. Coriat, Ripensare l’organizzazione del lavoro. Dedalo, Bari 1991, de onde resulta o exemplo de que a japonesa Toyota terceiriza 70% da sua produção.

15. Vejam-se as análises incisivas contidas em O Empreendedor Politico: o modelo da Benetton, editado por alguns exilados italianos em Paris e publicado na edição 3 da revista “Klinamen”, 1992: “Os novos atores eram trabalhadores (ou ex-trabalhadores), mas também uma força de trabalho escolarizada e, por vezes, altamente qualificada […]. Estes recusaram o trabalho repetitivo e desqualificador da grande indústria, procurando formas alternativas de autovalorização no seu território. É este movimento qualitativo ligado à crise social da grande indústria que se deve à ampliação do trabalho duplo, ao trabalho independente e à proliferação de pequenas fábricas espalhadas pelo território. A Benetton entende o seu potencial e descentraliza uma parte significativa da produção para essas figuras sociais. “Nessa direção e a partir de recursos locais, a grande empresa é a única capaz de garantir o marketing internacional de produção. O modelo Ferruzzi é similar: “O exemplo do grupo Ferruzzi é central, a sua dimensão política global é a única capaz de garantir o” savoir-faire “necessário para desenvolver políticas de lobby e comunicação para milhares de pequenas empresas (sobre a utilização alternativa de recursos agrícolas), o único que pode garantir os subsídios comunitários para as culturas de beterraba e de soja “. Nesse sentido, o “localismo produtivo” está evidentemente interligado inextricavelmente com os processos de globalização do capital.

16. Como exemplo, a Comunidade de Trabalho Alpe Adria (atualmente em operação) foi formada nas regiões fronteiriças dos Alpes do Centro-Leste e no Alto Adriático. Inclui 18 regiões dos Estados Ocidentais (Itália, Alemanha Federal e Suíça) neutras (Áustria), não alinhadas (ex-Jugoslávia no que diz respeito à Eslovénia e Croácia) e Oriental (Hungria). A Alpe Adria foi fundada em 1978 e desde o início incluiu a Eslovênia e a Croácia, o que poderia permitir reflexões sugestivas sobre os eventos subsequentes da guerra. Ao todo, o Alpe Adria inclui cerca de 40 milhões de habitantes.

17. Ver Mario Deaglio, La nuova borghesia e la sfida del capitalismo, Laterza, Bari 1991.

18. Paralelamente muitos têm vindo a abandonar a metrópole devido ao aumento do custo de vida.

19. Se aqui podemos recordar algumas reflexões pungentes de um grande e inesquecível companheiro de viagem como Félix Guattari: “Pode-se dizer que a história contemporânea é cada vez mais dominada pela afirmação de singularidades subjetivas – conflitos linguísticos, reivindicações autônomas, questões nacionalistas – que numa ambiguidade total expressam aspirações de libertação nacional, mas, por outro lado, elas se manifestam no que eu chamaria de reterritorializações conservadoras da subjetividade. Uma certa representação universalista da subjetividade, encarnada pelo colonialismo capitalista do Ocidente, fracassou, sem que toda a extensão desse fracasso fosse ainda totalmente medida'”. Felix Guattari, Chaosmos, Galilée, Paris, 1992.

20. Mesmo em relatórios recentes, grande importância é dada às “economias de localização”, onde são determinadas concentrações de atividades similares, especializadas e freqüentemente cooperativas, de acordo com um modelo tipicamente “Marshalliano”. E onde “a existência num lugar de uma força de trabalho especializada é um fator estratégico de importância primordial para potenciais investidores”, o mais importante, pelo menos, é que os próprios trabalhadores são forçados a se mudar para encontrar ou mudar de emprego.

21. Deaglio, cit.

22. De fato, não é por acaso que há uma competição furiosa entre a Liga do Norte e o fascista de fato, Fini. Mas seria um erro ler as equivalências marcantes entre os eleitores leghistas e o projeto neofascista. No máximo há setores da Liga (muito minoritários) que oscilam entre as duas formações. O problema é diferente se nos referirmos a alguns casos europeus. Dois em particular os significativos: o FPOE (o partido liberal austríaco) de Joerg Haider e o Republikaner de Schönhuber em (Veja Dellavalle nesta edição de “Iter”). Em particular, o FPOE subiu de 5 para 16% (20% em Viena). Inicialmente, o FPOE promoveu um novo espírito de iniciativa econômica num país dominado pelo co-associativismo e pela indústria estatal. Então, para ampliar o consenso, tornou-se o campeão de Kleiner Mann, do povo pequeno, contra estrangeiros (na Áustria dos cerca de 7 milhões e meio de habitantes 600.000 são estrangeiros legalmente registrados e outros cem mil ilegais) “que tiram o trabalho e aumentam as rendas e o crime “. Haider queria entitular a sua biografia, lançada recentemente na Áustria, Sein Kampf (a sua batalha) com uma clara alusão ao trabalho de Hitler. Escusado será dizer que este trabalho literalmente “rouba”, embora se saiba que uma pesquisa recente e discutível na Alemanha revela que 39% dos alemães gostariam de ser o re-republicano Schönhuber presidente da República.

One comment

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s