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Visca Catalunya! Solidariedade! | Praxis Magazine

Durante anos o governo central de Madrid, liderado pelo Partido Popular de Mariano Rajoy recusou os apelos à negociação, pisando e ignorando os anseios democráticos legítimos pela auto-determinação do povo catalão. Perseveraram os laivos do franquismo do governo, que preferiu a força bruta ao debate e à democracia.

Nas últimas semanas, o povo catalão resistiu e saiu às ruas para defender o seu direito a poder decidir sobre o seu futuro colectivo. Rajoy respondeu com o envio de mais de 12 mil polícias espanhóis, como se de forças de ocupação se tratasse, mas os catalães mantiveram-se firmes: manifestaram-se nas ruas e criaram comités de defesa do referendo, organizações de base democráticas e horizontais. O povo não ficou à espera e agiu por sua livre e espontânea vontade, organizando-se. Um dos exemplos a ter em conta no futuro.

Ontem, o franquismo regressou, mais uma vez, à Catalunha pelas botas da Polícia Nacional e Guardia Civil. Confrontados com a desobediência civil resoluta dos catalães, avançaram com uma repressão selvagem que desmascarou a democracia espanhola. Avós, pais e netos confrontaram, juntos, os bastões, as balas de borracha e as cargas policiais do governo de direita. Mas também bombeiros e até Mossos d’Esquadra, demonstrando as fragilidades do controlo de Madrid sobre as instituições autonómicas. “Quando os de baixo já não querem e os de cima já não podem”, disse, em tempos, um revolucionário. Ainda assim, mais de 893 catalães ficaram feridos, dos quais dois em estado grave.

Madrid foi derrotada e ontem foi o dia em que a Espanha perdeu a Catalunha. Apesar das acções repressivas das polícias espanholas que resultaram no encerramento de pelo menos 400 assembleias de voto, o povo catalão conseguiu avançar com o referendo. Mais de 2 milhões e 200 mil votaram num universo de cinco milhões de eleitores, tendo 90% decidido a favor da independência. Porém, 770 mil votos não puderam ser contabilizados por causa da apreensão das urnas e desmantelamento das assembleias de voto por Madrid, o que prefigura uma violação de direitos fundamentais.

A democracia espanhola não foi a única a ser desmascarada. A União Europeia remeteu-se ao silêncio, vendo os direitos, liberdades e garantias de todo um povo serem atropeladas em directo — e quando finalmente disse algo foi para se colocar do lado errado da História. A UE, que se diz democrática e em respeito pela lei, tomou uma clara posição: ser conivente com a repressão e política de direita de Rajoy. Direitos fundamentais foram violados. A Comissão Europeia afirmou, num comunicado, que o referendo e a repressão de Madrid é “um assunto interno de Espanha e que deve ser resolvido de acordo com a ordem constitucional espanhola”, para além de “acreditar que estes são tempos de unidade e estabilidade, não de divisão ou fragmentação”. Bruxelas escolheu o lado errado da história: o da repressão contra o debate e a democracia. A UE não defende os interesses da maioria, mas sim de uma minoria que lucra com as nossas vidas e o produto do nosso trabalho.

Este confronto não foi entre espanhóis e catalães, mas entre o governo de Rajoy e o povo catalão. Várias manifestações solidárias com a Catalunha e o seu povo ocorreram em várias cidades espanholas, como Bilbao e Madrid. Não é um confronto entre nacionalismos, mas entre a opressão e a liberdade. Depois deste domingo, o povo catalão está mais unido que nunca.

Rajoy escondeu-se por detrás de uma Constituição com laivos franquistas, escondeu-se por detrás dos juízes, das fileiras de polícias, do silêncio dos tecnocratas europeus e do apoio dos grande media, mas isso não o impediu de ser o grande derrotado do dia. O povo catalão uniu-se e defendeu, colectivamente, o direito a decidir o seu futuro. Perante a derrota, o primeiro-ministro espanhol escolheu continuar em negação e prosseguir com a mesma trajectória que resultou, ontem, na sua flagrante derrota. Na declaração que fez ao país afirmou que “hoje não houve nenhum referendo de auto-determinação na Catalunha” e recusou, hipocritamente, as suas responsabilidades nas agressões de ontem.

O Praxis Magazine solidariza-se com a greve geral deste 3 de outubro contra a repressão do governo de direita de Rajoy e pelo direito do povo catalão decidir o seu futuro.

VISCA CATALUNYA!
PELO DIREITO À AUTO-DETERMINAÇÃO!
TODA A SOLIDARIEDADE!

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