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Pela necessidade de alternativas | Praxis Magazine

Numa época em que a informação está ao alcance de um clique e é-nos transmitida a uma velocidade avassaladora, o jornalismo acaba por ser uma das áreas mais afectadas devido ao constante avanço das novas tecnologias durante a última década. A forma como se contam histórias e se dá a conhecer as notícias sofreu uma grande alteração e o seu paradigma está sempre em constante actualização. Perdeu-se muita capacidade de análise, favorecendo-se a procura do clique instantâneo e em maior número, na busca de mais e maiores receitas de publicidade.

Com a consequente mercantilização da informação, a falta de independência e de pluralidade dos meios de comunicação é cada vez mais visível: seja pela via económica e de interesse de classe dos próprios aglomerados mediáticos, seja pela via da auto-censura dos jornalistas em relação ao seu trabalho, vítimas da normalização da precariedade no sector. Devido à racionalização dos custos, dá-se preferência aos senadores mediáticos e aos treinadores de bancada, que por sua vez levam à pessoalização da informação.

Neste contexto, nascemos do compromisso político de trazer as ideias socialistas acessíveis a uma maior audiência possível. É uma tarefa árdua, dado o tamanho dos problemas com que o mundo se confronta e ao estado fragmentado da Esquerda hoje, que não tem ainda força suficiente para apresentar uma alternativa forte às questões que inquietam os povos. Por isso, comprometemo-nos a dar voz ao maior número de perspectivas que tentem promover as ideias que um dia poderão inspirar movimentos que tenham como objectivo libertar a humanidade.

Sendo assim, o Praxis Magazine é lançado numa altura em que a ordem política está a ser questionada a uma escala que não víamos há décadas. O neo-liberalismo, que há muito poucos anos atrás parecia inatacável, vem perdendo grande parte da sua legitimidade. A verdade é que, hoje, os movimentos anti-sistémicos não se definem contra o capitalismo, mas sim contra o neo-liberalismo. Com todos os problemas que advém dessa redefinição.

O neo-liberalismo foi-nos imposto como uma auto-evidência, como se fosse uma consequência da modernidade e mesmo da pós-modernidade, pois todos conhecemos o famoso legado de pensamento único thatcheriano There is no Alternative. A propagação destas ideias de pensamento único reflecte-se, e muito, na comunicação social.

O neo-liberalismo conseguiu atacar praticamente tudo o que foi arduamente conquistado pelo movimento laboral. Dos direitos do trabalho, aos sistemas de saúde e de educação pública. Da contratação colectiva, ao direito à greve. E com isto, as desigualdades sociais aprofundaram-se para um nível sem precedentes.

Consequentemente, os populismos de direita reapareceram com a sua narrativa inerentemente racista, xenófoba, conservadora, machista e transfóbica. É a própria ordem neo-liberal — em que um dos seus maiores êxitos foi absorver boa parte dos partidos tradicionais de esquerda que antes tinham um papel na defesa dos direitos laborais e do Estado Social — que é culpada do crescimento destas forças. No entanto, não se pode omitir o papel (ou a falta dele) da esquerda progressista neste desenrolar de acontecimentos. Falhou por falta de organização e pelo seu próprio conservadorismo.

Queremos ajudar a pensar a emancipação de todas as formas de opressão para além do paradigma capitalista, favorecendo as perspectivas dos movimentos sociais. Acreditamos que na luta política a teoria e a prática não podem ser dissociadas uma da outra. Esta foi uma das principais necessidades que sentimos e que nos mobilizou para a criação do Praxis Magazine.

Pretendemos juntar-nos àqueles que tentam aprofundar a narrativa contra-hegemónica e alternativa ao imediatismo e sensacionalismo jornalístico, indo à raiz das questões dos nossos dias com uma análise crítica da realidade. Já não estamos no “Fim da História” e o capitalismo já não é o único sistema credível. Estamos aqui para promover o aprofundamento desse diálogo.

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